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O verbo e a saudade...

Ela precisava de uma bebida, mas uma bebida das fortes, que a deixasse de cama por enxaqueca, que a deixasse de porre na manha de segunda-feira, que curasse a dor daquele amor; porém, ela não queria beber sozinha na sala de estar às 22h de um domingo chorando as lágrimas de um amor perdido. Não era pessoa pra viver sozinha. Não era amiga da solidão. Odiava dormir sem companhia, comer então, detestava. Não importava se comeria junto a ela ou não, ela pedia por companhia. Seu coração gritava, e ninguém a escutava. Seus olhos sangravam, e ninguém lhe dava um abraço nem companhia. Quando não havia para onde fugir nem se refugiar, ela pegava um martinê e o verbo a desenhar; as palavras, passaram a acompanhá-la junto as desilusões de quem amou outro coração. Quando não suportava mais de tanta saudade, quando o verbo se recolhia e a bebida acabava, dava seu mais alto grito de clemência. Seus lágrimas. O tempo demorava a passar e por dentro seu coração estava se decompondo em saudade. O verbo, quis silenciar mas este, não a deixava descansar; as palavras, quis matar mas estas, lhe matavam só em pensar. Se antes o que a destruía era a saudade, agora, eram as palavras. É melhor uma morte consciente do que a morte inconsciente. Sentada na poltrona, ela deu seu último suspiro ardente.




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