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Depois desse dia...

Eram quase 3h da manhã de um sábado. Você estava no bar com seus amigos, enquanto eu estudava um soneto de Shakespeare. Vocês falavam de mulheres e bebiam, enquanto eu recitava as palavras mais delicadas. Já eram quase 5h quando você chegou em casa com o suéter azul que te dei de aniversário amassado, os sapatos marrons sujos de lama e cheirando a palheiro velho com cachaça. Não falei nada. Você então se deitou ao meu lado sem fazer barulho para não me acordar. Como era de costume, eu acordava às 8h e logo você vinha atrás. Sentávamos na mesa de madeira na cozinha e tomávamos um café passado na hora. Mas naquela manhã foi diferente. Você não levantou. De início não dei muita importância, mas depois me chateie. Comecei então a colocar a roupa no varal e a fazer o almoço. E você nada de levantar. Aquilo era estranho, pois era quase 10h, mas deixei. Então, tive que almoçar sozinha e passar o resto da tarde assim também.Você foi levantar eram 17h e veio reclamar que eu não te chamei - mas você detestava quando te chamava e ficava de mau humor - e tudo o que eu não queria era brigar com você, mas isso estava acontecendo neste momento. Você então saiu sem nem me dizer se voltava para o jantar. Agora o relógio marcava 20h. Sempre nessa hora jantávamos. Menos essa noite e em todas as outras que se seguiram depois desse dia.


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